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Processamento fonológico e o desenvolvimento da leitura e escrita

Ler e escrever são processos complexos que dependem de uma série de habilidades para que haja sucesso em seu desenvolvimento. Dentre elas, podemos citar os componentes do que chamamos de “PROCESSAMENTO FONOLÓGICO”, que é composto por três habilidades que têm sido amplamente estudadas e relacionadas ao sucesso na aquisição e desenvolvimento de habilidades de linguagem escrita.

Estas habilidades são: consciência fonológica (habilidade de manipulação dos “pedaços” das palavras – sílabas e fonemas – sons), memória de curto prazo fonológica (capacidade de retenção de uma sequência de fonemas – sons) e nomeação automática rápida (habilidade de evocar estímulos de forma rápida e precisa).

Promover o treino destes componentes em pré escolares e escolares, é também promover um melhor embasamento para o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita.

A consciência fonológica

É a habilidade de segmentar as palavras (dividir em pedaços menores) em sílabas ou em sons (fonemas), ou seja, ser capaz de identificar que temos duas sílabas na palavra BICO (“bi” e “co”) e que, na mesma palavra, temos quatro sons (“b”, “i”, “c” e “o”).

Também é a capacidade de manipular essas sílabas e fonemas percebendo que a ordem destes itens pode ser trocada ou que algum deles pode ser excluído e, assim, novas palavras serão criadas. Por exemplo, ao trocarmos as sílabas da palavra “BOLO” de lugar, teremos a palavra “LOBO”, excluindo o som “S” da palavra “PASTA” teremos “PATA”.

Em resumo, é perceber que temos um conjunto finito de letras e sons que são rearranjados de diferentes maneiras para que tenhamos milhões de palavras diferentes, sendo de suma importância para que consigamos ler e escrever.

A consciência fonológica é composta por uma série de habilidades envolvendo sílabas e fonemas e que cresce em complexidade.

Alguns exemplos de atividades frequentes de consciência fonológica são tarefas de separação de sílabas, de rima, de perceber quais palavras começam com a mesma letra ou som, dentre outras.

São habilidades usualmente já exploradas de forma lúdica no ensino infantil e que são aprimoradas ao longo do processo de aprendizagem. Devem ser abordadas extensamente para garantir melhores habilidades de leitura e escrita.

A nomeação rápida

É a capacidade de nomear itens de forma rápida e assertiva.

Dizer o nome de itens – sejam eles nomes de objetos, cores, letras, números, sílabas ou palavras – no menor tempo possível e com o menor número de erros, demonstra capacidade de relacionar informações visuais a verbais, realizando uma conversão correta, que é o que deve acontecer para que consigamos ler com fluência (com velocidade adequada).

Ao ler, lidamos com uma série de informações sequencializadas que precisam ser “traduzidas” de letras para sons e precisamos que isso aconteça de forma rápida, mas também precisa.

Não seria eficaz ter uma boa velocidade de leitura mas errar a leitura das palavras e nem demorar muito para ler uma frase, mas fazê-lo de forma correta.

É preciso um equilíbrio entre velocidade e assertividade.
Além da relação com a fluência da leitura (velocidade), estudos também demonstram que a habilidade de nomeação rápida também está relacionada a uma melhora na compreensão do que lemos.

A memória de curto prazo fonológica

Está relacionada a capacidade de reter, por pouco tempo, uma sequência de sons, e de repetir o que foi dito. A capaz de repetir palavras como “mopecane” e “fipotema” é uma habilidade componente do que chamamos de processamento fonológico e que está relacionado ao sucesso na aquisição e desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita.

Para avaliar e treinar esta habilidade utilizamos “palavras que não existem”, ou seja, que não nos remetem a um significado imediato.

Quando ouvimos a palavra “cadeira”, já nos vem a mente a imagem da cadeira, que ela serve para sentar e etc. Assim, fica mais fácil lembrar do seu nome.

Agora, quando ouvimos a palavra “micharrinho”, não pensamos em nenhum significado concreto e, também por isso, prestamos mais atenção nos sons e na sequência em que eles são produzidos.

Para escrever, por exemplo, precisamos ser capazes de reter diversas sequências de sons – que compõem as palavras, em uma ordem específica. Uma falha nessa retenção pode levar a erros na hora da escrita.

Esta memória também é importante para o desenvolvimento de habilidades de linguagem oral e usualmente estão alteradas em indivíduos que apresentam alguma dificuldade de fala e linguagem. Por isso, é tida como de suma importância no trabalho visando habilidades orais e/ou de escrita.

O processamento fonológico certamente é necessário no desenvolvimento da leitura e da escrita, deve ser estimulado já na pré escola, avaliado em suspeitas de dificuldade de aprendizagem e trabalhado se seu desenvolvimento não estiver ocorrendo.

Luciene Stivanin

Fonoaudióloga
CRFa 2-14385

• Fonoaudióloga USP
• Doutorado em Ciências da Reabilitação USP
• Pós Doutorado na área de Fonoaudiologia Educacional USP
• Atuação em linguagem, aprendizagem e cognição

Com colaboração de Paula Pedot.

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