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TDAH e dislexia

Veja a história de três crianças de 9 anos com a mesma queixa: dificuldades de leitura e escrita.

1. Mariana tem dislexia:

Lê sem erros, mas devagar. Interpreta bem textos pequenos, mas com os textos longos, precisa de tempo maior, para ler mais de uma vez cada trecho e memorizar os fatos. Aproveita tudo o que a professora explica oralmente. Na hora da prova, sua professora lê as questões longas e, assim, consegue responder, pois assimilou todo o conteúdo dado nas disciplinas.

2. Pedro tem TDAH:

Lê com velocidade boa, mas omite algumas sílabas e não respeita a pontuação. Interpreta bem textos curtos, mas textos são difíceis de serem finalizados. Tem dificuldade para prestar atenção nas explicações da professora, mexe-se o tempo todo na cadeira, olha para o amigo, responde à diretora que está fora da classe. Durante a prova, fica em uma sala com um grupo pequeno, consegue ficar mais atento. Sua professora o direciona para se atentar aos detalhes de questões longas e revisá-las.

3. Lucia dislexia e TDAH:

Lê devagar, com alguns erros. Interpreta bem pequenos textos, mas tem dificuldade para se engajar na leitura de textos mais longos. É difícil assimilar os conteúdos dados em sala de aula, pois seu pensamento “está em outro lugar” durante as explicações da professora. Durante a prova, a professora lê questões mais longas e a direciona para revisão e passo a passo da execução.

Os casos construídos acima são fictícios e percebe-se que a queixa e os sintomas são os mesmos. Na clínica, são frequentes estas queixas e sintomas. Como fazer o diagnóstico?

A dislexia e o TDAH

São transtornos do neurodesenvolvimento, ou seja, os sinais são observados durante o desenvolvimento, e os períodos de maior evidência diferem entre as pessoas. A dislexia é um transtorno específico de aprendizagem da leitura. O TDAH não é considerado um transtorno de aprendizagem, mas pode acarretar dificuldades no processo.

A Dislexia

É um quadro caracterizado por dificuldade persistente em leitura, apesar de capacidade intelectual, instrução escolar e orientação familiar adequadas.

A criança com dislexia tem dificuldade habilidades de processamento fonológico, como para soletrar palavras longas nunca vistas anteriormente, armazenar sons na memória enquanto decodifica palavras escritas, falar rapidamente nomes quando vê suas imagens.

Estas falhas interferem na aprendizagem e automatização de associação entre letras e seus sons; ao ler, a criança pode omitir, inverter e trocas letras e/ou ler devagar.

Este processo lento prejudica a compreensão do que é lido, não porque a pessoa tem problemas de compreensão, mas porque sobrecarrega a memória e a pessoa não se lembra do que leu anteriormente.

Crianças com dislexia podem parecer desatentas. Imagine você, com dificuldade para aprender a ler, ou tendo que ler um texto longo em curto espaço de tempo – o cansaço, a insegurança, ou sentimento de não dar conta podem te levar a pensar em outra coisa e não terminar a tarefa.

O TDAH

É caracterizado por sintomas de hiperatividade, desatenção e impulsividade, podendo haver predomínio de um destes sintomas.

São observados sinais como: dificuldade para manter-se sentado por um período de tempo, movimentação excessiva de corpo durante uma tarefa, desvio da atenção quando há estímulos competitivos ou simplesmente começa a pensar em outro coisa, execução sem planejamento (faz sem pensar), tarefas sem finalização, interrupção frequente durante conversas, desorganização, etc.

Estes comportamentos, especialmente no início da escolarização, atrasam a aquisição e o desenvolvimento da leitura e da escrita. Por isto, pessoas com TDAH podem apresentar dificuldades em leitura e escrita.

Existe também uma frequência notória dos dois transtornos juntos em uma mesma pessoa.

Por isto, o diagnóstico deve ser cuidadoso. E o plano de tratamento é diferente para cada uma, mesmo a queixa e o diagnóstico sendo iguais.

A presença de um transtorno mostra sintomas relacionados aos déficits, seja cognitivo, de linguagem, comportamental ou emocional. Mas temos que considerar SEMPRE, que dentro de cada área do desenvolvimento, toda pessoa tem também suas capacidades. O levantamento destas capacidades é um ponto importante para o trabalho com estas pessoas.

Na clínica ReEscreva, fazemos a identificação dos déficits que causam prejuízo acadêmico e social, e ressaltamos as capacidades preservadas.

Luciene Stivanin

Fonoaudióloga
CRFa 2-14385

• Fonoaudióloga USP
• Doutorado em Ciências da Reabilitação USP
• Pós Doutorado na área de Fonoaudiologia Educacional USP
• Atuação em linguagem, aprendizagem e cognição

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