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Quando procurar um neuropsicólogo?

A neuropsicologia estudo de modo geral, as relações entre cérebro e o comportamento.

Geralmente recomenda-se a avaliação neuropsicológica quando há alterações de queixas relacionadas à memória, atenção, raciocínio, linguagem, percepção, coordenação, assim como, mudanças no comportamento.

 Estas alterações podem ser de origem neurológica, psiquiátrica, psicológica e/ou genética.

A avaliação é bastante utilizada para diagnosticar casos de:

  • Dificuldades atencionais e/ou hiperatividade;
  • Transtornos ou dificuldades de aprendizagem;
  • Problemas comportamentais e emocionais;
  • Condições neurológicas (como epilepsia, traumatismo craniencefálico);
  • Transtornos do neurodesenvolvimento;
  • Deficiência intelectual;
  • Dentre outros.

Além disso, favorece o diagnóstico precoce de atrasos no desenvolvimento global, favorecendo práticas interventivas interdisciplinares mais precoces, e consequentemente mais eficazes e possibilitando um melhor prognóstico.

Outro ponto a ser considerado é que a avaliação neuropsicológica pode ter diferentes focos em função da idade do examinando.

  • Em pré-escolares, a avaliação usualmente se concentra na linguagem, desenvolvimento cognitivo e motor e nas habilidades socioemocionais básicas.
  • Em crianças em idade escolar, o foco tende a ser as habilidades relacionadas à leitura, escrita e matemática, atenção e funções executivas, controle emocional funcionamento social.
  • Adolescentes também tendem a ser avaliados quanto ao progresso acadêmico, controle emocional e comportamental, e funcionamento social (Hale & Fiorello, 2004; Semrud-Clikeman & Ellison, 2009).

Uma das principais fontes de encaminhamento é a escola no caso de crianças e adolescentes que apresentam dificuldades de aprendizagem ou de comportamento. 

Os indivíduos encaminhados podem já ter passado por outros profissionais ou terem tido primeiramente encaminhamento ao neuropsicólogo.

As queixas escolares podem estar relacionadas a problemas neuropsicológicos ou não (como ocorre nas dificuldades de aprendizagem).

Ainda assim,  a avaliação neuropsicológica poderá contribuir para esclarecer a queixa e orientar os encaminhamentos necessários.

Os relatos mais comuns são os de aprendizagem acadêmica e/ou problemas de comportamento sobretudo quando externalizantes.

A família é outra fonte importante de encaminhamento.  É possível que a criança ou o adolescente manifeste, no contexto familiar, dificuldades de comportamento não observados em outros locais como a escola.

As diferenças entre relatos aos pais e professores,  não devem ser vistas como imprecisão por parte dos informantes,  pois podem ocorrer em razão das diferenças que existem em cada contexto,  como as diversas demandas cognitivas e as situações sociais especificas as quais os indivíduos estão expostos.

Para o planejamento da avaliação é fundamental ter clareza dos objetivos (baseado em Miotto, 2016):

  1. Auxílio no diagnóstico nosológivo,
  2. Maior compreensão da natureza e extensão dos comprometimentos (cognitivos, emocionais e comportamentais);
  3. Mapeamento do funcionamento cognitivo do indivíduo,  por meio do delineamento de seu perfil neuropsicológico (perfil das potencialidades X dificuldades);
  4. Fundamentação e proposição de intervenções voltadas às necessidades e ais comprometimentos específicos dos pacientes;
  5. Acompanhamento e medida dos efeitos da intervenção neuropsicológica (ou de outras como as medicamentosas,  cirúrgicas,  ou de outros profissionais) podendo colaborar para o processo e sugerir novos direcionamentos à intervenção.

Portanto, além da testagem de hipóteses e levantamento de perfil cognitivo, a avaliação neuropsicológica é a primeira etapa (e uma etapa fundamental) do planejamento de intervenção.

O processo de avaliação neuropsicológica consiste geralmente de seis a sete sessões. 

Todo o  processo se inicia com a entrevista clínica ou anamnese, prática cimum na área e que tem como objetivo principal conhecer e aprofundar a demanda,  assim como esclarecer a história clínica e todo conjunto de queixas cognitivas, emocionais e comportamentais e seu impacto na vida do paciente; além de levantar informações sobre o desenvolvimento eco funcionamento do paciente. 

No caso de crianças e adolescentes esta primeira etapa é realizada com os pais e/ou responsáveis pelo paciente. 

As próximas 4 e/ou 5 sessões é realizada a testagem com o uso de instrumentos padronizados e validados para a faixa etária e escolaridade do indivíduo. E por fim, a última sessão é realizada a devolutiva dos resultados obtidos pela avaliação e a realização das orientações e encaminhamentos necessários para aquele indivíduo.

Fontes consultadas:

Hale, J.B. & Fiorello, C.A. (2004). School Neuropsychology: A practitioner´s handbook. New York: Guilford Press.

Semrud-Clikeman, M., & Ellison, P.A.T. (2009). Child Neuropsychology: Assessment and Intervention. New York: Springer.

Ana Luiza Dias Piovezana

Neuropsicóloga e Psicóloga Clínica
CRP – 06/90136

• Psicóloga UNESP
• Neuropsicóloga USP
• Mestre em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem UNESP
• Atuação em psicologia clínica e neuropsicologia

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