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Psicomotricidade no desenvolvimento infantil

A psicomotricidade é a ação do sistema nervoso central que cria uma consciência no ser humano sobre os movimentos que realiza por meio de padrões motores, como a velocidade, o espaço e o tempo.

O conceito da psicomotricidade é baseado no funcionamento cerebral, pois, ele comanda tanto nossas atividades motoras como nossos comportamentos fazendo uma interligação com a neurociência. Portanto, a psicomotricidade tem um olha para este individuo, sua dinâmica familiar, para o corpo, a construção da linguagem, na forma como ele se expressa, seja como for: gestual, falada, escrita ou visual. (Gonçalves, 2019).

A educação psicomotora é fundamental na vida da criança e está refletida no histórico de vida deste individuo, podendo observar se a partir daí, o desenvolvimento da criança, o seu relacionamento com o mundo, a sua interação com as pessoas, a forma como pensa e atua, expressando suas sensações e sentimentos, e utilizando o corpo como instrumento importante e significativo para a comunicação.

A estimulação psicomotora pode se iniciar na primeira infância, onde as crianças se encontram na fase de experimentações corporais, onde se iniciam as descobertas espaciais, temporais e tônicas. A primeira infância corresponde ao período que vai desde a concepção do bebê, sua gestação até os seis anos de idade da criança. É nesta etapa da vida que os alicerces das competências e habilidades emocionais e cognitivas futuras do adulto são estabelecidas.

A educação psicomotora deve incidir, principalmente para crianças até 8 anos de idade, por ser um período fundamental para o desenvolvimento infantil, em que a criança tem necessidade de ação e experimentação como forma de adquirir o conhecimento, favorecendo a maturação psicológica por meio da motricidade, do agir e do brincar, que são a base do desenvolvimento do pensamento.

O desenvolvimento dos fatores psicomotores, permite à criança uma melhoria da postura, da dissociação dos movimentos, da coordenação global dos movimentos, da motricidade fina, do ritmo, da discriminação táctil, visual, auditiva, da integração das estruturas espaciais e temporais, do aumento da capacidade de atenção e concentração.

As atividades na estimulação psicomotora devem trabalhar os seguintes aspectos:

  • Tonicidade: é a base para qualquer ato motor, é o que prepara a musculatura para os movimentos e atividades práxicas. Tem função de alerta, atenção e vigília e garante bom desempenho da atividade mental. É a sustentação para todas as nossas ações, mantendo-nos estáticos e em equilíbrio. Direciona atitudes, gestos, expressões e mímicas, exteriorizando assim as características individuais do ser. Controla a preensão, movimento primordial para demandas escolares e acadêmicas, atua no controle inibitório, na condição de mudar e controlar a posição do corpo em atividades amplas e finas, na postura e consequentemente no comportamento.
  • Equilibração: possibilidade basicamente de manter posturas, posições e atitudes. Para a psicomotricidade é a base para a automatização dos movimentos voluntários sejam eles estáticos ou dinâmicos. O controle da postura, relacionado ao domínio da gravidade e a aquisição da marcha, o funcionamento do sistema vestibular através de atividades tônicas, tátil, cinestésicas, visuais e auditivas, e consequente segurança da ação, permite ao indivíduo condições de se relacionar com o meio que está inserido, além da liberação de membros superiores para aquisição das funções cotidianas.
  • Noção do corpo: conhecimento do próprio corpo e do corpo de terceiros, noções espaciais do próprio corpo e de terceiros, interiorização da imagem corporal, capacidade de reconhecer e nomear as partes do corpo e suas funções especificas. A construção de esquema através de experiencias sensório-motoras e a construção concreta dos limites corporais, isto é, a relação com o espaço físico.
  • Estruturação espaço-temporal: processo de identificação e de reconhecimento do movimento intencional ao obedecer a um começo, meio e fim, um ritmo, uma sequência, uma ordem e uma harmonia. (Fonseca, 2008). A estrutura temporal baseia a capacidade de se organizar em relação à sequência de eventos, duração de intervalos (dia e noite, por exemplo), a percepção de ciclos (dia, semana, mês, ano) e ao caráter irreversível do tempo (passado, presente e futuro).
  • Praxia Global: realização e automação dos movimentos dos movimentos globais, e demanda conjunta de diversos grupos musculares. É uma ação antecipada mentalmente. Portanto, é uma ação planejada, programada, e verificada, até ser cumprida. É determinada também por um conjunto de pré-requisitos motores como força, persistência e maturação dos aspectos psicomotores descritos.
  • Praxia fina: envolve velocidade, precisão dos movimentos finos, manipulação, preensão.
  • Lateralidade: identificação da dominância lateral, reconhecimento de direita e esquerda, ordenação espacial, direção gráfica, ordem das letras e dos números, discriminação visual. Com 7-8 anos, a prevalência hemisférica já está bem definida, e a criança consegue identificar direita e esquerda em si, no outro e na relação com o espaço.

Fontes consultadas:

Fonseca, V. Desenvolvimento Psicomotor e Aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2008.

Gonçalves, F.A. A neurociência sob o olhar da psicomotricidade. 1 ed. São Paulo: Editora Cultural, v. 1; p. 272, 2019.

Wiliam Piovezana

Fisioterapeuta e Psicomotricista
CRFa 2-14385

  • Fisioterapeuta
  • Especialista em Pneumologia UNIFESP
  • Especialista em Psicomotricidade
  • Reabilitação em ortopedia e psicomotricidade

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